Beatriz

Sou casada e mãe de 02 filhos. Aos 35 anos, devido ao desemprego entrei em depressão e perdi 11 quilos em 01 mês, isso ocasionou um problema no coração e precisei fazer cateterismo. Na época, um filho tinha 07 anos e outro 10 anos. Tive muito medo de morrer.

Quase 03 anos depois, sou diagnosticada com câncer de mama e o desespero tomou conta de mim novamente, pois já tinha perdido muitos familiares com essa doença. Não conseguia raciocinar direito, não pensei se eu iria viver ou morrer. Parecia que não era comigo. Não podia e não queria acreditar que eu seria a próxima.

Me revoltei com Deus, pois pedi tanto para me dar o dom de ser mãe e agora que eu os tinha não poderia vê-los crescer.

Dei início ao tratamento com a retirada total da mama esquerda, meu primeiro desafio foi me olhar no espelho, chorei muito. Fiz radioterapia. Perdi todos os cabelos com o processo da quimioterapia. Nossa! Como isso doeu. Tomei medicação por cinco anos. Durante o primeiro ano de tratamento tive suspeitas de metástase no pulmão, ossos, cérebro e fígado. A cada consulta, a cada resultado um pico de estresse e muito medo. Enfim, durante o tsunami que virou minha vida do avesso, descobri uma força que eu tinha e não conhecia. Em 2003 iniciei uma luta em prol de transporte gratuito para pacientes com câncer, em 2004 me tornei voluntária em Santo André. Em janeiro de 2005 perdi meu pai e no mesmo ano voltei aos estudos, fiz um ano e meio supletivo colegial (EJA) em seguida prestei o ENEM, conquistei uma bolsa na faculdade e me formei em Tecnólogo Gestão Pública. Em 2007 perdi minha mãe para um câncer de ovário, me senti incapaz de cuidar de pessoas e voltei ao mercado de trabalho, onde fiquei por 03 anos e pedi demissão, pois estava prestes a entrar em outra depressão. Voltei ao trabalho voluntário e em 2012 junto com outras mulheres guerreiras fundei a Associação Rosa Mulher – Grupo de Apoio – Câncer de Mama.


Mensagem para as mulheres:


“Tenha muita força, não vai ser fácil. Pelo contrário: Vai ser muito difícil. Mas, quando você está junto, por mais difícil que seja a situação, tudo se torna mais fácil.”
(Leandro D. Sakano – filho)


“É uma situação difícil, mas temos que lutar juntos e viver juntos. Acho que um deve ajudar o outro, pois sozinho a gente não vai a lugar algum. Sempre temos que ter a força de um ajudando o outro.”
(Rafael D. Sakano – filho)

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